Lukács e Benjamin: Temporalidade e dialética – a aritmética da revolução

No semestre passado (2014.02) eu cursei a matéria de Teoria da História II na FFLCH USP com o Professor Jorge Grespan. Como trabalho de conclusão de curso nos é pedida uma dissertação que contraponha os autores do curso e temas vistos em sala. A ementa do curso coloca como objetivo o seguinte tema:

“O curso pretende examinar a concepção da história desenvolvida pela chamada Teoria Crítica da Sociedade, com sua leitura específica de Marx pela ótica da dialética de Hegel e da tradição da sociologia alemã do fim do século XIX e início do XX. O primeiro texto a ser discutido é História e Consciência de Classe, de Lukács, cujos temas e métodos foram retomados em seguida por um grupo de autores associados ao Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, como Horkheimer, Adorno e Benjamin. Em Dialética do Esclarecimento, de Horkheimer e Adorno, o estudo do fetiche da mercadoria , iniciado por Lukács, avança para se tornar uma crítica radical do progresso, em uma visão que procura abranger a história como um todo. Por fim, serão debatidos três textos de Walter Benjamin, sobre técnica e arte, sobre narrativa e sobre história. Em todos os autores, as concepções de história surgem do diagnóstico crítico da modernidade, dominada pelo fetichismo e pela indústria cultural.”

O resultado foi o trabalho intitulado Temporalidade e dialética – a aritmética da revolução.

Alienação e estramento: o trabalho alienado e o esvaziamento qualitativo do tempo

Teorias do valor e a Economia como veículo ideológico

Por que a maçã tem valor? Trabalho ou desejo?

Uma pergunta que é central a todo economista: por que as coisas são trocadas? Por que um pedaço de papel pode ser trocado por um carro? Quais mecanismos fundam e regulam o movimento de produção e circulação das mercadorias?

No capitalismo aonde tudo, inclusive o homem virou mercadoria – a força de trabalho é comprada e vendida no mercado de trabalho, existe uma medida de quantidade e de preço: nível de emprego e salário nominal (ou real) – a pergunta central acaba sendo, então, porque essa sociedade funciona assim? Quando chegamos às lojas ou solicitamos os serviços somos atendidos sem maiores complicações e a sociedade funciona e se reproduz dessa forma. Ou seja, entender essas questões é entender a reprodução da própria sociedade. E assim o valor é uma abstração real que de fato regula a produção na sociedade mercantil generalizada. Entender o que é o valor e como ele funciona é crucial não só para intervir nesse mundo posto, mas para apontar aos limites históricos do valor e da sociedade que usa esse mecanismo impessoal para regular a produção material da vida social.

No artigo Teorias do valor e a Economia como veículo ideológico lançamos a investigação nos dois grandes campos de entendimento sobre essas questões, num debate que se imbrica entre Economia e Filosofia e expõe sumariamente as teorias do valor-trabalho e do valor utilidade. Serve como ponto de partida do debate. Questões e críticas são sempre pertinentes.