Hasta Siempre, Fidel!

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Fidel foi daqueles seres humanos ímpares. Dotado de grande amor pelo ser humano dedicou sua vida à revolução; e a entendia como transformação completa das estruturas que criam e perpetuam a miséria, a desigualdade e a exploração do homem pelo homem. Optou por transformar Cuba desde sua base social e foi radical no sentido de ir à raiz dos problemas para buscar novas soluções.

Graças ao seu fervor revolucionário convenceu cerca de 80 homens a continuar a luta iniciada pelo Movimento Revolucionário 26 de Julho, que desde 1953 iniciara a batalha franca e aberta contra o domínio ianque (como eles gostavam de dizer) sobre o povo cubano. Fulgencio Batista havia transformado a pequena ilha caribenha em uma colônia de férias americana, banhando tais vacaciones com jogatinas e festas enquanto o povo passava necessidade e sofria com a miséria.

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Forjado na luta política Fidel foi absolvido pela história no momento em que, após o assalto ao Quartel de Moncada, serviu de próprio advogado elaborando uma autodefesa que virou panfleto da luta dos povos contra as tiranias mundo afora.

Fidel, temperado na luta revolucionária inspirou amores e ódios e foi vítima de mais de quase 700 tentativas de assassinato pela CIA. Fuzilou, matou e fez o que tinha que ser feito em uma guerra: decidir enfrentar o imperialismo estadunidense tem seus preços e, numa guerra, sobrevive aquele que não fraqueja quando chamado a tomar decisões. Por vezes a luta é o caminho para a paz, principalmente quando o xerife do mundo acha que o seu “jardim” não pode sonhar com a autodeterminação de seu povo. Pagaram com o embargo econômico criminoso imposto à ilha e que sufoca seu povo desde a década de 1960. O bloqueio impede que a sociedade cubana colha os frutos do comércio internacional e retroalimenta o próprio regime cubano.

Contraditório e humano, Fidel errou, acertou e teve a grandeza de perceber que a autocrítica é a ferramenta mais importante na mão do revolucionário. Soube sair de cena quando as reformas econômicas necessárias para seu povo foram sugeridas pela ala mais jovem do PC Cubano. Sob a batuta de Frei Betto, brasileiro, aceitou a reaproximação entre a Igreja e o Estado, respeitando o povo cubano e aceitando que a realidade concreta deve se impor sobre as suas próprias ideias.

O lema da juventude revolucionária foi, desde o início, Estudio, Trabajo, Fusil e assim a construção da sociedade cubana transformou a pequena ilha em uma potência em Educação e Saúde. O esporte, grande referência em jogos internacionais colocou os parâmetros da cidadania no centro da noção de cidadão em Cuba.

O povo cubano, conhecido pelos princípios da camaradagem chamava de companheiros todos os cubanos, pois a revolução criara a ideia de igualdade humana antes e acima de qualquer outra distinção social existente. A construção do novo homem em Cuba se baseou na solidariedade e lá ainda ecoam os gritos da Revolução Francesa de Liberté, Egalité, Fraternité (ou la mort).

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O espírito independentista de José Martí guiou o povo cubano sob o pulso firme de Fidel, Che, Raúl e Camilo (entre outros) durante a construção da revolução para derrotar o imperialismo. O sangue derramado pintou de vermelho o solo latino-americano. A luta, o amor pela liberdade dos povos e a autonomia humana são as marcas deste “continente” lationo-americano.

Não bastassem as veias abertas da América Latina agora temos as lágrimas que não secam pela perda de Fidel, nuestro comandante em-Jefe e líder da Revolução Cubana.

Que tremam todos os exploradores, pois as flores morrem, mas ninguém jamais conseguirá deter a primavera!

Hasta Siempre Comandante!

¡Patria o Muerte! ¡Venceremos!

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Inexistência de justificativa econômica para o bloqueio norte americano a Cuba à luz modelo Heckscher–Ohlin

Cuba e Estados Unidos: por que o bloqueio econômico ainda ocorre?

Com a reabertura das relações diplomáticas entre Cuba e os EUA no dia de hoje (17/12/2014), posto um artigo que fiz para o curso de Economia Internacional na FEA USP. O artigo (escrito no terceiro ano da Graduação) visava responder uma pergunta:

Uma preocupação comum em países desenvolvidos é que o comércio com nações mais pobres traria prejuízos para os trabalhadores locais. Discuta os efeitos do comércio sobre o mercado de trabalho dos países desenvolvidos. Há argumentos para políticas protecionistas nesse caso?

Utilizando o modelo de Heckscher–Ohlin, tentamos mostrar como não existem motivos econômicos plausíveis para a manutenção do bloqueio econômico. Segue artigo:

Abertura comercial e mercado de trabalho – modelo Heckscher–Ohlin no estudo entre Cuba e EUA