Cenário brasileiro: irracionalidade política 


Nós temos alguns níveis no debate político brasileiro:

Temos os religiosos que beatificam autores, teorias ou ideias e deitam a realidade em suas fantasias.

Temos os racionais e científicos que buscam a teoria que explica o movimento da realidade em sua complexidade e não têm problema em abandonar um esquema explicativo furado face o real.

Temos o analfabeto político, que usa termos como “corja”, “esquerdismo”, “esquerdista”, “esquerdopata” porque lê a Veja, que diz que o comunismo matou milhões e que o Lênin era ditador (mas não sabe nem o que foi a NEP ou um kolkhoz, que ouvi dizer sobre mencheviques e que sovietes é uma lembrança remota na memória), que se vale da categoria política de “totalitarismo”, reivindicado, sem saber, o legado tragicômico da Société du Mont Pèlerin, que acha que corrupção é opção política populista (outra categoria política inepta) de quem tem algum projeto de manutenção no poder, que critica a luta de classes porque olha o mundo a partir de seu particular conforto social de fração de classe privilegiada, que reproduz um palavrório conservador porque ao invés de pensar reproduz o senso comum mais básico, que acha que soluções fáceis resolvem problemas complexos e assim defendem a militarização da vida social ou o encarceramento de jovens contra a violência, a meritocracia contra a “preguiça” e a igualdade racial e de gênero contra feministas e cotistas, afinal todo mudo tem uma prima que venceu na vida ou “inclusive amigos negros”, que acha que rico é rico porque trabalhou e não sabe o que é rentismo, grilagem de terras ou qualquer meio escuso de enriquecimento, que defende a ditadura porque, a despeito de algumas unhas arrancadas vivemos uma “ditabranda”…

Pois é, a lista é imensa. Mas já deu pra entender que a irracionalidade move aquela que santificam Lula e que idolatram Bolsonaro, para pegar dois extremos de um mesmo fenômeno alienante.

É preciso ter coragem!

Interpretamos corretamente os autores ou fizemos deles fantoches para que falassem o que queríamos ouvir?

Interpretamos corretamente os autores ou fizemos deles fantoches para que falassem o que queríamos ouvir?

Publico aqui uma nota curta na qual tento delinear o que de fato é a crítica ao capitalismo do Marx, bem como o que seria uma sociedade comunista (de um ponto de vista de um “tipo ideal” weberiano). À luz dessa classificação preliminar cotejo até que ponto a URSS ou outras experiências históricas poderiam assumir tal nome: sociedade comunista. A nota se chama É preciso ter coragem! e pode ser lida clicando no título dela.

Sobre a ideia de trabalho alienado, estranhamento, coisificação, fetichismo, fica uma reflexão em forma de vídeo. É um curta chamado “El Empleo

Lukács e Benjamin: Temporalidade e dialética – a aritmética da revolução

No semestre passado (2014.02) eu cursei a matéria de Teoria da História II na FFLCH USP com o Professor Jorge Grespan. Como trabalho de conclusão de curso nos é pedida uma dissertação que contraponha os autores do curso e temas vistos em sala. A ementa do curso coloca como objetivo o seguinte tema:

“O curso pretende examinar a concepção da história desenvolvida pela chamada Teoria Crítica da Sociedade, com sua leitura específica de Marx pela ótica da dialética de Hegel e da tradição da sociologia alemã do fim do século XIX e início do XX. O primeiro texto a ser discutido é História e Consciência de Classe, de Lukács, cujos temas e métodos foram retomados em seguida por um grupo de autores associados ao Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, como Horkheimer, Adorno e Benjamin. Em Dialética do Esclarecimento, de Horkheimer e Adorno, o estudo do fetiche da mercadoria , iniciado por Lukács, avança para se tornar uma crítica radical do progresso, em uma visão que procura abranger a história como um todo. Por fim, serão debatidos três textos de Walter Benjamin, sobre técnica e arte, sobre narrativa e sobre história. Em todos os autores, as concepções de história surgem do diagnóstico crítico da modernidade, dominada pelo fetichismo e pela indústria cultural.”

O resultado foi o trabalho intitulado Temporalidade e dialética – a aritmética da revolução.

Alienação e estramento: o trabalho alienado e o esvaziamento qualitativo do tempo