Hasta Siempre, Fidel!

discurso

Fidel foi daqueles seres humanos ímpares. Dotado de grande amor pelo ser humano dedicou sua vida à revolução; e a entendia como transformação completa das estruturas que criam e perpetuam a miséria, a desigualdade e a exploração do homem pelo homem. Optou por transformar Cuba desde sua base social e foi radical no sentido de ir à raiz dos problemas para buscar novas soluções.

Graças ao seu fervor revolucionário convenceu cerca de 80 homens a continuar a luta iniciada pelo Movimento Revolucionário 26 de Julho, que desde 1953 iniciara a batalha franca e aberta contra o domínio ianque (como eles gostavam de dizer) sobre o povo cubano. Fulgencio Batista havia transformado a pequena ilha caribenha em uma colônia de férias americana, banhando tais vacaciones com jogatinas e festas enquanto o povo passava necessidade e sofria com a miséria.

bandeira

Forjado na luta política Fidel foi absolvido pela história no momento em que, após o assalto ao Quartel de Moncada, serviu de próprio advogado elaborando uma autodefesa que virou panfleto da luta dos povos contra as tiranias mundo afora.

Fidel, temperado na luta revolucionária inspirou amores e ódios e foi vítima de mais de quase 700 tentativas de assassinato pela CIA. Fuzilou, matou e fez o que tinha que ser feito em uma guerra: decidir enfrentar o imperialismo estadunidense tem seus preços e, numa guerra, sobrevive aquele que não fraqueja quando chamado a tomar decisões. Por vezes a luta é o caminho para a paz, principalmente quando o xerife do mundo acha que o seu “jardim” não pode sonhar com a autodeterminação de seu povo. Pagaram com o embargo econômico criminoso imposto à ilha e que sufoca seu povo desde a década de 1960. O bloqueio impede que a sociedade cubana colha os frutos do comércio internacional e retroalimenta o próprio regime cubano.

Contraditório e humano, Fidel errou, acertou e teve a grandeza de perceber que a autocrítica é a ferramenta mais importante na mão do revolucionário. Soube sair de cena quando as reformas econômicas necessárias para seu povo foram sugeridas pela ala mais jovem do PC Cubano. Sob a batuta de Frei Betto, brasileiro, aceitou a reaproximação entre a Igreja e o Estado, respeitando o povo cubano e aceitando que a realidade concreta deve se impor sobre as suas próprias ideias.

O lema da juventude revolucionária foi, desde o início, Estudio, Trabajo, Fusil e assim a construção da sociedade cubana transformou a pequena ilha em uma potência em Educação e Saúde. O esporte, grande referência em jogos internacionais colocou os parâmetros da cidadania no centro da noção de cidadão em Cuba.

O povo cubano, conhecido pelos princípios da camaradagem chamava de companheiros todos os cubanos, pois a revolução criara a ideia de igualdade humana antes e acima de qualquer outra distinção social existente. A construção do novo homem em Cuba se baseou na solidariedade e lá ainda ecoam os gritos da Revolução Francesa de Liberté, Egalité, Fraternité (ou la mort).

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O espírito independentista de José Martí guiou o povo cubano sob o pulso firme de Fidel, Che, Raúl e Camilo (entre outros) durante a construção da revolução para derrotar o imperialismo. O sangue derramado pintou de vermelho o solo latino-americano. A luta, o amor pela liberdade dos povos e a autonomia humana são as marcas deste “continente” lationo-americano.

Não bastassem as veias abertas da América Latina agora temos as lágrimas que não secam pela perda de Fidel, nuestro comandante em-Jefe e líder da Revolução Cubana.

Que tremam todos os exploradores, pois as flores morrem, mas ninguém jamais conseguirá deter a primavera!

Hasta Siempre Comandante!

¡Patria o Muerte! ¡Venceremos!

caminhando

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Marx no século XXI

Este texto é, ao mesmo tempo uma aventura, um desafio, uma viagem a contrapelo da história. Mas é absolutamente fundamental.

Aparência e essência

O intuito é desmistificar a confusão que existe na cabeça dos que se dizem marxistas quanto ao que Marx fez e falou; e faria se vivo fosse. É necessário começar assumindo que não sou vocalizador de verdades ocultas de Marx que só eu conheço, não sou onisciente e tampouco tenho monopólio da verdadeira interpretação acerca do autor. O que exponho aqui é um exercício de história contrafactual calcado no impossível. Proponho que pensemos o seguinte: Marx foi quem foi, fez o que fez, contudo, continuou vivo até os dias de hoje, ativo do ponto de vista de produção intelectual: o que aconteceria? Assim, eu encarno abaixo um sujeito que [supostamente] entendeu Marx e é capaz de expor quais seriam os seus caminhos e críticas na atualidade (a primeira parte é parcialmente verdadeira, a segunda, visivelmente falsa).

O conceito marxiano de verdade é o mesmo que o da verdade platônica, do desvelamento. A verdade é a correspondência, no nível prático, dos resultados intelectivos e teóricos na medida em que a teoria é a reconstituição da processualidade do concreto, síntese de múltiplas determinações. Livrando-se do fetiche e das interversões dos objetos na esfera da aparência da sociedade Marx expõe a lógica capitalista como aquela calcada na expansão do valor e se serve de um método expositivo que acolhe a contradição – marca fundante de um mundo que tem na sua aparência igualitária (esfera da circulação ou mercado) o escamoteamento de uma profunda divisão social. Nas trocas os agentes aparecem em pé de igualdade como meros possuidores de mercadorias, realidade suportada, todavia, pela cisão radical arquitetada a partir da propriedade privada dos meios de produção na essência (esfera da produção) do modo de produção capitalista. Para expor a forma geral de funcionamento da sociedade dominada pelo sujeito cego e automático – o capital – Marx não só leu os teóricos de seu tempo como participou ativamente da publicação de textos jornalísticos, foi dirigente sindical e lia manuais de máquinas e equipamentos recém lançados para manter-se em dia com a massa crítica de conhecimento produzido em todos os âmbitos. Para trabalhar alguns resultados qualitativos ele se valeu de modelos matemáticos (como os esquemas de reprodução do Livro II) ainda que não de forma clara e suficiente, como por exemplo na explanação do equilíbrio sob Reprodução Ampliada do ponto de vista formal (ele nunca foi capaz de encontrar a equação ). Bem como foi assíduo leitor dos quadros estatísticos e dos dados disponíveis. Quem leu O Capital lembrará das inúmeras estatísticas apresentadas por lá.

Supondo que ele cá estivesse ainda hoje, com toda certeza ele seria um profundo conhecedor de cálculo diferencial e integral, conheceria os teoremas estatísticos e econométricos e não deixaria, jamais, de ter acesso a dados e pesquisas da “fronteira”, insumos de seus trabalhos intelectuais – e talvez achasse facilmente o equilíbrio da reprodução ampliada, poderia reelaborar a temática do problema da transformação dos valores em preços para mostrar que ele nasce da má interpretação de seus leitores e reinvestigar a dinâmica da taxa de lucro com dados e algum modelo formalmente robusto e testável.

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Método e escopo: a formalização necessária

É sabido que a matemática, para Marx, servia como trato pré-teórico do argumento. Ele utilizava este campo do saber na derivação de seus resultados no momento do estudo do tema, como instrumento e não fim. O que fazia com que ela não necessariamente precisasse constar no seu método de exposição. Contudo, dados e matemática são dois pontos centrais no que quero expor aqui: constata-se facilmente que os marxistas atualmente:

  1. não sabem matemática,
  2. têm medo de matemática,
  3. acreditam que ela é mero veículo ideológico, divisor intelectual do saber.

Ora, no mundo em que temos acesso a microdados, informações agregadas e diversas clivagens espaciais, temporais e categorias infindáveis de dados Marx iria se encantar com as possibilidades! É possível estudar absolutamente tudo do ponto de vista dos dados, pois existe massa factual organizada e disponível, além poder computacional para tanto. O apego aos dados não é coisa da minha cabeça, afinal, qualquer um que tenha alguma teoria em mãos quer ter o prazer de confirmá-la via estudo empírico: os dados devem corroborar a sua teoria e não, como fazem alguns (muitos!) ao tentar “deitar a realidade” em seu esquema explicativo em caso de resultados negativos. Se o seu modelo não explica o mundo, pior para o seu trabalho teórico, infelizmente… Modelagem é importante, mas a primazia é do real! A teoria espelha (se bem-feita) a lógica do desenvolvimento concreto, pois não são as ideias que pautam o concreto de forma apriorística como querem os idealistas (se a fé removesse montanhas não precisaríamos de trator) e sim sua própria dinâmica concreta que se impõe sobre nós. Neste ponto é bom lembrar do estatuto do falseacionismo metodológico popperiano, ferramental metodológico dominante na ciência atualmente: qualquer teoria é igualmente confirmável, sendo, portanto, o papel da ciência falsear teorias impróprias. A esta lógica falseadora atribuo, por um lado, um verniz Pós-moderno em que a verdade se torna fluida e não unitária, tornando possível múltiplas verdades ou, de outro, uma vertente neokantiana mais radical em que as respostas são sempre parciais no sentido de que a verdade é inalcançável, impossibilitando o homem de conhecer a coisa em si, reservando o contato com o objeto (a coisa como ela se mostra aos sujeitos) abrindo um abismo lógico entre sujeito e objeto do conhecimento.

O marxismo se opõe frontalmente à ideia de que é impossível conhecer a verdade – ela existe, mas precisa ser desvelada pelo estudo cientificamente exato, ou seja, a dialética materialista, o método de elevação do abstrato ao concreto por meio de operações racionais. A verdade não é autoevidente em um primeiro olhar porque está escondida por um mundo invertido em que as coisas comandam os homens, que reconhecem suas relações humanas apenas pela mediação das coisas. Na inversão sujeito-predicado o fetiche escamoteia o real e a reificação e o estranhamento tornam o mundo um lugar estranho aos homens e confortável às coisas.

A pergunta não é “se devemos usar”, mas sim “qual” matemática usar

A teoria enquanto reprodução ideal do movimento do real deve ir aos fundamentos da lógica e do movimento das categorias. É urgente lançar mão de todos os instrumentos existentes para ingressar em camadas cada vez mais profundas do conhecimento. É claro que a matemática enquanto linguagem deve respeitar à correspondência entre forma e conteúdo, deve ser adequada ao objeto, descrevê-lo em sua essencialidade e nunca sobrepô-lo. Existem diversas “matemáticas”, diversas formalizações e aproximações a um mesmo problema (o mesmo vale para métodos estatísticos e econométricos). Pode parecer desnecessário dizer, mas a matemática é instrumento e não deve se sobrepor ao método dialético. Ela é mais um instrumento que o pesquisador lança mão a fim de corroborar sua elaboração teórica.

A matemática eminentemente equilibrista e estática pode ser substituída por sistemas dinâmicos, adaptativos, complexos e com a introdução de diversos níveis e tipos de heterogeneidade e dinamicidade. A modelagem expectacional pode abarcar vários tipos de racionalidades e os diagramas de fases das variáveis nos dão uma explicação do sentido e movimento dos sistemas. Com a substituição do agente representativo pela divisão entre classes, com a troca do sistema price-taking suportado pelo leiloeiro walrasiano por uma regra de mark-up através da formação de uma taxa média de lucro, com a mudança da hiper-racionalidade ensimesmada por cálculos sob conflito social, com a substituição da busca pela harmonia do equilíbrio pelo reconhecimento de que a realidade é governada por uma disputa econômica diferente dos modelos onde a imperfeição é mero desvio da concorrência perfeita (que é o benchmark), com a alteração da função investimento por uma que inclua o lucro como motor da acumulação… Somente assim poderemos avançar em uma formalização que explique o mundo de forma real, em oposição aos modelos que tomam hipóteses heroicas para a partir daí derivar explicações sobre os fenômenos econômicos. Não negamos a importância desses modelos e formas de abordar os problemas – hoje classificados como “ortodoxos” – todavia, defendemos que para explicar a essência dos fenômenos do mundo econômico é necessário adentrar as esferas mais profundas e mecanismos íntimos de funcionamento da realidade social.

O ponto chave é que a modelagem alternativa pode ir aos fundamentos e atravessar a aparência idealizada e harmônica do mercado, pois é ela quem falsamente confere ao todo social suposta harmonia e equilíbrio da parte: a metonímia se dá porque todos podem trocar livremente no mercado se são possuidores de mercadorias, o que supostamente conferiria à esfera da produção um funcionamento também de modo identitário. Se a Ciência Econômica se debruça somente sobre as relações aparentes acaba formalizando a partir da esfera da circulação e toda questão fundante da Economia Política enquanto conflito e disputa se esvai em harmonia, equilíbrio e convergência.

Acredito que se Marx vivo fosse avançaria não só em novas formas, mas também em alguns conteúdos que não estavam presentes em sua discussão n’O Capital. É relativamente claro o papel e proeminência da esfera financeira e suas imbricações e disputas com o lado real da economia, a relação entre agente e sociedade em um mundo neoliberal onde o individualismo é o liame unificador, pois os indivíduos se relacionam somente se tangenciando em relações contratuais – portanto, questões acerca do fetiche, reificação e alienação estariam no cerne de sua discussão. Marx também discutiria a deposição histórica do valor como categoria fantasmática que confere funcionamento às trocas em uma sociedade capitalista. Outra preocupação central seria a discussão sobre mecanismos e funcionamento da crise econômica, sua forma de aparecimento e seus mecanismos internos e, principalmente, seu conceito. Haveria aprofundamento sobre a ciência enquanto força produtiva e sua utilização massiva na produção, com seus impactos sobre o exército industrial de reserva e a relação entre o crescimento populacional e a divisão do trabalho social, que sob o capitalismo implica em desemprego.

Em suma, a Economia Política avançaria abarcando a contradição como marca fundante do mundo posto, utilizaria ferramentas e métodos novos sem cair em ecletismo e produziria tudo isso em uma linguagem para disputar a explicação do mundo, não para ficar fechada em departamentos acadêmicos sem dialogar com as linhas teóricas divergentes. Marx inverteria sua 11ª Tese dizendo ser o momento de interpretar novamente o mundo para somente depois transformá-lo.

Bruno Miller Theodosio

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Econoceitos – Riqueza X Renda

Oi pessoal,

Hoje a coluna é nova assim como a última – Econoceitos: pílulas de economês! Conceitos importantes, explicados de forma mastigada.

Começamos estabelecendo a diferença entre dois conceitos centrais em Economia: riqueza e renda.

Riqueza é o estoque de bens e serviços à disposição da sociedade, de um indivíduo ou grupo social. Ou seja, a riqueza é o produto social que é apropriado de formas distintas na sociedade. Quando se diz que um sujeito tem “tantos reais” quer dizer que ele é proprietário de um estoque de ativos que vale, em determinado momento, uma quantidade de dinheiro.

Renda, em bom economês, é um fluxo monetário advindo de fatores de produção alocados em um processo produtivo, ou seja: renda é aquilo que é pago pelo que está aplicado à produção. O que se utiliza como fator de produção para produzir algo? Terra, capital e trabalho. As rendas que são pagas pela aplicação destes fatores à produção são, respectivamente: renda da terra/aluguéis, lucro/juros e salário.

Assim, o meu salário é minha renda. A conta que tenho no banco onde coloco meu salário compõe minha riqueza. O sujeito dono de ativos financeiros obtém renda financeira, como por exemplo um fluxo de pagamentos recebido pela propriedade de um ativo qualquer – o sujeito que sobrevive de rendas financeiras (pagamentos pela propriedade jurídica de capital aplicado) é o famoso rentista.

O Brasil é um país marcado pela desigualdade de renda (desigualdade entre salários e lucros (chamada distribuição funcional da renda) e desigualdade entre indivíduos (distribuição pessoal da renda)) e de riqueza, perpetuada via heranças e doações.

Cotidianomics: dinheiro não traz felicidade

Olá a todos!

Hoje eu inicio uma coluna no blog intitulada “Cotidianomics: economia do cotidiano”. A ideia é trazer situações cotidianas para o diálogo com a Teoria Econômica. O nome é uma junção de cotidiano + economics (Ciência Econômica, em inglês). O projeto é publicar textos curtos, de fácil leitura, se possível bem humorados – ou pelo menos fugindo do jargão mais acadêmico, explicando os termos e a lógica econômica.

Nosso primeiro tema é: dinheiro não traz felicidade [manda buscar].

Eu estava na academia hoje e ouvi um rapaz conversando com um colega e ele falou que se o dinheiro não trazia, pelo menos mandava buscar a felicidade. Procurando na internet ainda existem variantes da frase, mas todas são unânimes: o dinheiro, em si, não nos torna necessariamente mais felizes. Ora, se consumimos bens e serviços que nos trazem satisfação, o dinheiro manda buscar e até entrega a felicidade sim. Certo? Depende…

Depende porque em Economia define-se utilidade como aquilo que gera bem-estar (um cálculo psicológico) ao indivíduo. E como é o indivíduo quem melhor sabe o que é bom para si, cada sujeito decide sobre consumir aquilo que lhe traz bem-estar e que pode ser captado pelo que os economistas chamam de utilidade. Ora, o conceito de consumo refere-se a tudo aquilo que aumenta a utilidade (e gera bem-estar). Até aqui, tudo bem: uma cerveja, um carro ou um corte de cabelo são consumo, geram utilidade e aumentam nosso bem-estar. Mas, e aquilo que não é comprado: companhia de um parente querido, uma noite com a mulher amada, uma paisagem que você encontra ao abrir a janela… A princípio para nada disso houve gasto direto em dinheiro, mesmo que estas coisas elevem meu grau de satisfação, ou seja, consumo “sem comprar”; será?

O ponto é: mesmo aquilo que explicitamente não é monetizado, na verdade pode ser contabilizado em unidades monetárias. Gary Becker ganhou o prêmio Nobel de Economia ao discutir a existência de mercados para coisas que não são, per se, bens econômicos: casamento, filhos, etc. O que ele aponta é que a companhia de um filho (seu consumo) gera bem-estar – portanto deve fazer parte da cesta de bens que o sujeito escolhe. Assim, o pai calcula que terá gastos ao ter o filho, mas o “serviço” que ele gera de aumento de bem-estar explicita que o pai decide “consumir” o serviço do filho (entram no cálculo até a aposentadoria e os cuidados futuros do filho para com o pai).

Contudo, a decisão de ter filho (ou do casamento, entre outras) é posterior ao cálculo, “na ponta do lápis”. Quem nunca ouviu dizer sobre que se faz conta para saber se era a hora de casar, se cabe no bolso? Existe um conceito, em bom economês é o “custo de oportunidade”, que quer dizer “tudo aquilo que você abdica dada uma escolha”: enquanto você gasta com hospital, fralda, mamadeira, falta de sono e redução de produtividade no trabalho e filmes do Frozen este dinheiro poderia ter sido aplicado, alocado para consumir outra coisa, afinal os recursos são escassos e precisamos aloca-los racionalmente, por isso que escolhemos e, por isso que ter um filho pode ser encarado como uma decisão de consumo, mesmo sem a “compra” direta do “bem” que é o filho.

Assim, nem tudo é diretamente comprado com dinheiro, mas nenhuma decisão é imune ao cálculo econômico, pois em última instância, “não existe almoço grátis”. É por isso que o dinheiro traz sim felicidade em um mundo que tudo é objeto de compra e venda ou que pelo menos é reduzido à sua dimensão econômica.

 

Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

 

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 22.000 vezes em 2015. Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 8 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

Não há neutralidade possível!

Não há neutralidade possível!

Diante dos fatos é preciso se posicionar. Eu sustento uma tese: a defesa da manutenção do governo Dilma diante do atual processo de impeachment é uma defesa das Instituições democráticas e da legalidade.

O crime de responsabilidade atribuído ao governo Dilma não se enquadra nos termos da LRF, segundo alguns juristas, pois é prática corriqueira de todos os governos em todas as esferas da administração brasileira. Mesmo outros países se valem de práticas de maquiagem fiscal para fechar suas contas, como apontado pelo relatório (Staff Note) do FMI intitulada “Accounting Devices and Fiscal Illusions”.

Dizer que a maquiagem fiscal sempre ocorreu implica que estejamos de acordo com as práticas de maquiar as contas públicas? Não!

A única certeza é que não se pode criminalizar uma prática corriqueira da administração pública brasileira como pretexto para revisar o resultado eleitoral legítimo, mas adverso segundo setores descontentes com os rumos do Brasil. Ciro Gomes corriqueiramente tem usado a ideia que impeachment não é instrumento para tirar governo ruim ou que não gostamos. A isso cabe o papel das eleições.

Assim, estar de acordo com a manutenção do impeachment segundo o atual processo que criminaliza as tais “pedaladas fiscais” é estar de acordo com mudar as regras do jogo quando se está perdendo –  vale aqui a figura do dono da bola que a coloca embaixo do braço quando seu time perde no clássico do bairro, entre a rua de cima e a rua de baixo. Que mudemos as regras, mas não durante o jogo rolando.

Defender que o impeachment não prospere segundo este processo aberto é a certeza de respeito ao poder soberano do povo, que em seu sufrágio elegeu democraticamente um governo (gostemos ou não dele) e a certeza inclusive da não banalização do mecanismo jurídico do impedimento constitucional. Ora, o impeachment piora os indicadores econômicos pela incerteza generalizada que emerge no curto prazo, desarticula alianças e programas políticos que estavam em funcionamento e nos leva, no limite, para um caos institucional. A defesa de que ele seja utilizado com parcimônia e com fatos concretos que o embasem é a defesa do rito legal e da observância do aparato jurídico brasileiro.

Muitos de nós, vindos da Universidade Pública, batemos na tecla que a banalização da greve como instrumento de luta deslegitima o processo grevista, pois por qualquer motivo deflagra-se uma paralisação que impede todo funcionamento universitário.

A defesa do ritual necessário e do momento correto para que a greve ocorra é, na verdade, uma defesa da legitimidade do próprio instrumento de greve. Exatamente como é o impeachment, elevado à enésima potência por ser muito mais sério: defender que o impeachment não seja aberto simplesmente porque desgostamos do governo, sem embasamento jurídico concreto é lutar para que ele continue um instrumento legítimo do Estado Democrático de Direito. A justificativa é manter a legitimidade de um dos dispositivos constitucionais mais sérios pela legalidade de seu uso.

Assim como o time de futebol que para não ser rebaixado recorre ao tapetão, não estendamos a judicialização da vida cotidiana também para assuntos tão sérios como a vida política brasileira. As leis estão aí para serem cumpridas; se são ruins, cumpramo-las enquanto lutamos para sua mudança. Mas não é certo recorrer à justiça quando somos contrariados, somente para apaziguar nosso ego.

Política não é futebol. Eleição não é Fla x Flu. Impeachment não pode, portanto, ser tapetão.cunha-dilma

Não há neutralidade possível!

Não há neutralidade possível!

Diante dos fatos é preciso se posicionar. Eu sustento uma tese: a defesa da manutenção do governo Dilma diante do atual processo de impeachment é uma defesa das Instituições democráticas e da legalidade.

O crime de responsabilidade atribuído ao governo Dilma não se enquadra nos termos da LRF (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp101.htm), segundo alguns juristas, pois é prática corriqueira de todos os governos em todas as esferas da administração brasileira. Mesmo outros países se valem de práticas de maquiagem fiscal para fechar suas contas, como apontado pelo relatório (Staff Note) do FMI intitulada “Accounting Devices and Fiscal Illusions”.

Dizer que a maquiagem fiscal sempre ocorreu implica que estejamos de acordo com as práticas de maquiar as contas públicas? Não!

A única certeza é que não se pode criminalizar uma prática corriqueira da administração pública brasileira como pretexto para revisar o resultado eleitoral legítimo, mas adverso segundo setores descontentes com os rumos do Brasil. Ciro Gomes corriqueiramente tem usado a ideia que impeachment não é instrumento para tirar governo ruim ou que não gostamos. A isso cabe o papel das eleições.

[ https://www.youtube.com/watch?v=fF5nnvfbH2E ]

Ciro Gomes: “Impeachment não é solução para governo ruim” ]

Assim, estar de acordo com a manutenção do impeachment segundo o atual processo que criminaliza as tais “pedaladas fiscais” é estar de acordo com mudar as regras do jogo quando se está perdendo (a figura do dono da bola que a coloca embaixo do braço quando seu time perde no clássico do bairro, entre a rua de cima e a rua de baixo) – que mudemos as regras, mas não durante o jogo rolando.

 

Defender que o impeachment não prospere segundo este processo aberto é a certeza de respeito ao poder soberano do povo, que em seu sufrágio elegeu democraticamente um governo (gostemos ou não dele) e a certeza inclusive da não banalização do mecanismo jurídico do impedimento constitucional. Ora, o impeachment piora os indicadores econômicos pela incerteza generalizada que emerge no curto prazo, desarticula alianças e programas políticos que estavam em funcionamento e nos leva, no limite, para um caos institucional. A defesa de que ele seja utilizado com parcimônia e com fatos concretos que o embasem é a defesa do rito legal e da observância do aparato jurídico brasileiro.

Muitos de nós, vindos da Universidade Pública, batemos na tecla que a banalização da greve como instrumento de luta deslegitima o processo grevista, pois por qualquer motivo deflagra-se uma paralisação que impede todo funcionamento universitário.

A defesa do ritual necessário e do momento correto para que a greve ocorra é, na verdade, uma defesa da legitimidade do próprio instrumento de greve. Exatamente como é o impeachment, elevado à enésima potência por ser muito mais sério: defender que o impeachment não seja aberto simplesmente porque desgostamos do governo, sem embasamento jurídico é lutar para que ele continue um instrumento legítimo do Estado Democrático de Direito.

Assim como o time de futebol que para não ser rebaixado recorre ao tapetão, não estendamos a judicialização da vida cotidiana também para assuntos tão sério como a vida política brasileira. As leis estão aí para serem cumpridas; se são ruins, cumpramo-las enquanto lutamos para sua mudança.

Política não é futebol. Eleição não é Fla x Flu. Impeachment não pode, portanto, ser tapetão.cunha-dilma