Manifesto de Lançamento Núcleo de Estudos Marxistas – FEA USP

Núcleos de Estudos Marxistas FEA USP

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MANIFESTO DE LANÇAMENTO DO NÚCLEO DE ESTUDOS MARXISTAS – NEM FEA

Marx, em seu livro terceiro de O Capital aponta que “toda ciência seria supérflua, se a forma de aparecimento e a essência das coisas coincidissem imediatamente”.

A teoria ortodoxa em Economia é aquela que sustenta a racionalidade maximizadora dos agentes, na qual eles realizam trocas através do mercado enquanto sujeitos autocentrados. Neste mundo, dinheiro é mero meio de circulação, abstrai-se a diferença entre os indivíduos e todos são atomísticos, governados por cálculos marginais subjetivos para satisfação de seu bem-estar. Sabemos, contudo, que o mundo é menos harmônico que a esfera das trocas, que coloca todos como meros possuidores de mercadorias, mesmo que sua única propriedade seja sobre sua força viva de trabalho.

Ao estudar Economia com base nos cânones da ortodoxia incorremos no erro de confundir aparência e essência, portanto, tomando a igualdade jurídica do mercado como essência das relações capitalistas. Entretanto, a aparência harmônica do proprietários de mercadorias no mercado é sustentada pela divisão entre classes na esfera produtiva, fundada na violenta divisão entre classes.

Nesta sociedade cindida em classes, a propriedade dos meios de produção se destaca do trabalho. Os que trabalham são livres no duplo sentido: não só são homens livres, como também são não proprietários dos meios de produção. Assim, a sociabilidade moderna arquiteta a produção da vida social de forma que alguns tenham “liberdade” de venda de sua força de trabalho no mercado e recebam salários, enquanto outros, valendo-se do trabalho alheio, produzam mercadorias que podem realizar lucros quando levadas ao mercado e vendidas.

Evitando o erro de tomar a aparência como essência, negamos, além pressupostos da apologética do mercado, também seus resultados: inexistindo natureza humana maximizadora, a possibilidade de troca entre mercadorias qualitativamente iguais não é socialmente governada por cálculos marginais de agentes iguais, bem como as remunerações dos fatores de produção não se determinam exclusivamente por suas contribuições ao produto marginal. Não se pode tomar o objetivo do modo de produção capitalista como produção de valores de uso. As utilidades são suportes à valorização dos valores em movimento e o capitalismo é a busca incessante por valorização, produção de capital. O capital, como sujeito cego e automático que governa a dinâmica capitalista inscreve no processo sua lógica: não só ele é valor que se valoriza, mas também uma relação social entre trabalho vivo e trabalho morto, aonde o último se vivifica vampirescamente enquanto suga o trabalho vivo.

Sendo assim, a crítica a este modo determinado de vida é também a crítica à teoria que lhe dá suporte teórico e ideológico, que funda a trocabilidade das mercadorias em sua utilidade, que acredita que o dinheiro seja meio de troca e que inexiste possibilidade de crises gerais. Em suma, a crítica ao capitalismo é a crítica à teoria que confunde a violenta divisão entre classes na esfera produtiva com aparência harmônica das relações no mercado.

É necessário, portanto, entender cientificamente a sociedade capitalista depositando esforços na descoberta da dinâmica interna e na lógica dessa estrutura produtiva. Propomos tal esforço!
Convidamos os interessados a nos acompanhar nos estudos da obra de Marx, que ao criticar a sociedade fetichizada e do trabalho alienado, não só critica o mundo posto como as teorias [econômicas] que lhe dão suporte ideológico. Não tratamos Marx nem o marxismo com um recorte específico, com uma leitura particular. Queremos, ao contrário, isentos de preconceito, deixar o autor falar.

Núcleo de Estudos Marxistas – FEA USP

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