Por um novo modelo de desenvolvimento liderado pela demanda

R$, US$, £…

Qual o novo padrão de acumulação a seguir?

A ideia que me guia é: o modelo de distribuição de renda sustentado pelo aumento do consumo se esgotou. Se esgotou justamente porque logrou sucesso. Basta ver que houve, senão aumento, pelo menos manutenção do nível de atividade, mesmo frente a uma crise econômica e choques exógenos. Assim, o componente da demanda efetiva que sustentou o modelo atual foi, fundamentalmente, o consumo agregado, mesmo a despeito de queda do investimento e deterioração das contas públicas pelo câmbio sobrevalorizado que temos, reduzindo nossa competitividade externa ao encarecer nossas exportações.

No Brasil tivemos distribuição de renda com manutenção dos níveis de atividade sustentados pelo componente consumo da demanda efetiva. O caminho pela frente é substituir o modelo wage-led por um modelo export-led. Fundamentalmente, precisamos criar condições que deram sustentação aos atuais níveis de atividade e aprofundar as injeções de demanda. Como o componente investimento é pouco manobrável porque resultado de arranjos idiossincráticos dos capitalistas, mesmo com barateamento do crédito não há, necessariamente, aumento dos investimentos, uma política cambial menos hostil pode gerar os incentivos necessários aos investimentos. 

Acredito que a mera desvalorização cambial possa gerar impacto inflacionário no curto prazo, mas haveria que se pagar o custo para que levássemos nosso modelo de crescimento para um modelo liderado pelas exportações – o arcabouço Kaleckiano diria que há como depreciar o câmbio sem arrocho salarial, mas para isso precisaríamos reduzir os mark-ups nos preços. Ou seja, uma luta distributiva, no fim das contas.

Portanto, precisamos gerar um ambiente institucional mais favorável e robusto aos humores do mercado internacional. Ou seja, temos de conseguir gerar impacto positivo no setor produtivo, que é o setor dinâmico em uma economia de mercado. Quais empresas de peso temos hoje? Fora a Petrobrás, pública, nenhuma de grande relevância. Precisamos competir internacionalmente! Um choque competitivo pode ter impactos positivos, mas isso não é claro para mim ainda. Para essa conta, outras questões devem ser pesadas, desde quais retornos de escala as empresas brasileiras possuem, elasticidades até argumentos de indústria nascente, complementariedade estratégica, etc.

Aécio: rentismo, retrocesso e subordinação

Meu problema com a candidatura com o Aécio é justamente que ele indica fazer o oposto: menor leniência com inflação implica, na visão deles, conter a demanda via aumento dos juros. Contudo, no ambiente que temos, de pouca competitividade industrial, jogar juros lá em cima para supostamente conter a inflação desestimula o crédito, seja para produção, seja para consumo – e pra quem precisa gerar impacto positivo na indústria isso parece suicídio. Ademais, acredito que a modificação na atual correlação de forças das frações de classe à frente do Estado imporia a subordinação da nossa economia à lógica rentista. Com taxas de lucro declinantes, crédito caro, pouca competitividade e câmbio hostil, resta ao empresário sair da esfera produtiva e fugir para a esfera financeira, levando a demissões, queda na demanda, etc.

Enfim, acredito que temos que mudar o padrão de desenvolvimento atual, colocando peso no aprofundamento do modelo de redistribuição de renda, sustentação do consumo, mas precisamos tornar as exportações um fator dinâmico, o que poderá apontar para melhores perspectivas dos lucros retroalimentar os investimentos.

Retomar o tripé é condenar o país a voltar a ser uma plataforma para valorização financeira do capital especulativo. Com os juros altos e o câmbio valorizado, dizimamos o que resta da nossa débil indústria, abrimos as portas para o capital que vem aqui, se alimenta dos juros e remete seus rendimento para fora, ao invés de trazer IDE/investimento produtivo.

Lembremo-nos, por fim: a inflação está, há anos, dentro das bandas de aceitação. As contas públicas estão em ordem e os investimentos estrangeiros também parecem sustentar um nível aceitável. Resultados estes discutidos pela Professora Leda Paulani (FEA USP) aqui.

É por isso que acredito que o PT tenha maior capacidade de tocar este projeto, porque não se subordina aos mercados financeiros e tem um projeto de desenvolvimento nacional.

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