Caminhos frente à turbulência

Esse ano tem tudo pra ser complicado ao Brasil. Aquilo que Delfim Netto caracterizou como “Tempestade Perfeita” parece se delinear com a redução do crescimento da China e a modificação na política monetária dos EUA. O possível (mas improvável) rebaixamento do rating do Brasil e a incerteza internacional quanto ao nosso cenário podem complicar o financiamento externo brasileiro – daí a tentativa da Dilma de uma “Carta aos brasileiros 2.0”.

Desta forma, com a retirada dos incentivos (via compra de títulos) à economia norte americana pela redução em US$ 10 bilhões o cenário é de alta do dólar. Com certeza da recuperação da economia estadunidense pode ocorrer o que Tombini chamou de efeito “aspirador de pó”, atração de capitais aos EUA.

Do ponto de vista do Brasil a desvalorização do real frente ao dólar pode ser um mecanismo de fomento industrial porque encarece o importado. Mas, para se realizar haveria que existir uma política de incentivo aos investimentos públicos e privados na indústria. Sem um ambiente favorável ao investimento ele não será realizado – e como sabemos as altas taxas de juros desincentivam a tomada de empréstimos para dinamizar a economia. Com a redução do crescimento da China e do ciclo das commodities cada vez menos a demanda estrangeira por commodities pode sustentar nossas exportações.

Além do mais, em ano de eleição há um ímpeto em relaxar a política fiscal aumentando gastos, seja em obras públicas de fato ou em campanha/publicidade.

Sendo assim, o cenário parece ser:

i) política monetária de elevação da Selic para conter a inflação, pelo menos é o que apontam as últimas atas do COPOM, além da tentativa de frear a desvalorização cambial.
ii) afrouxamento de política fiscal com gastos em eleição, copa e etc. (e como fica a sustentação do superávit primário?)
iii) política cambial me parece uma incógnita, podem tentar forçar algum tipo de valorização cambial (o que vai junto à elevação dos juros porque atrai capital estrangeiro enquanto reduz-se a oferta monetária) para evitar impacto inflacionário ou podem apostar na desvalorização como mecanismo de indução da industrialização.

O que resta saber é no que o Brasil aposta? Pela ida e discurso ameno, quase subserviente da Dilma em Davos acredito que a opção seja pela manutenção e aprofundamento da política mais ortodoxa, mantendo juros elevados e tentativa de revalorização do real. Os gastos devem, como sempre em ano eleitoral aumentar um pouco.

Será um ótimo laboratório real pra entender os meandros da política econômica em ano de Copa, eleição e com mudança do cenário externo.

“Tempestade Perfeita”… Depois da tempestade, afinal, vem a bonança?

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