Marx, arte e trabalho

Pensando de forma muito abstrata sobre o homem, o trabalho e a arte a partir de Marx.

Basicamente, a atividade essencialmente humana não é uma, são duas:

i) o trabalho, ou seja, através do intercâmbio com a natureza o homem a transforma, produz algo e portanto ele se objetiva. É o processo de reencontro do ser humano com suas habilidades, do ponto de vista material;

ii) a outra é a arte.  Uma atividade sem praticamente intercâmbio algum com a natureza e que tem por função fazer o indivíduo se reencontrar consigo mesmo, com as emoções mais autênticas, portanto, se “libertar”. Funciona como subjetivação do ser (tem sentido isso? subjetivação? pensei como contraponto à objetivação pelo trabalho). É, portanto, o reencontro com lado afetivo do ser. Há uma profunda emoção nesse processo de catarse estética e quando você volta à vida normal você volta “engrandecido”, com uma experiência vivida que é, para você, inenarrável.
Essa catarse estética pode ocorrer tanto com obras de arte quanto com a natureza, de toda forma, são algumas experiências pontuais marcantes na vida do homem que passa por elas.
A obra de que ele fala no vídeo é essa:
Estive pensando no par conceitual alienação/estranhamento…
Em linhas gerais, para Hegel o movimento era o produzir algo através do trabalho, com intercâmbio com a natureza e, depois de produzido, o ser olhava sua obra e voltava a si. Ou seja, o sujeito que produzia, com posse dos meios de produção, no ato de produzir “depositava” sua humanidade no objeto produzido (alienava sua humanidade, ou “se” alienava no objeto) e, portanto, quando voltava a si voltava engrandecido porque se reconhecia como quem produziu. Resumindo, o homem sentia poder apropriar-se do mundo, no limite, poderia criar o mundo porque se reconhecia em suas obras.
Quando Marx olha esse movimento da produção, no modo de produção capitalista, ele mostra que por ser livre dos meios de produção o produtor não se apropria do produto de seu trabalho, por isso, quando volta a si volta diferente do movimento que Hegel descreve. Num primeiro momento o produtor se reconhece naquilo que produz, mas como não é dele de fato o resultado da produção há sempre um mal estar, há uma crise de reconhecimento na qual o ser volta a si, mas volta sem reconhecer-se, ou seja, volta “estranhado”. E isso dá ensejo inclusive à explicação para o consumismo. Já que não me reconheço no que produzo, vamos ver se me reconheço naquilo que consumo, que outros produziram. E, novamente, no momento inicial eu fico feliz ao comprar, mas como não fui eu que fiz aquilo logo me estranho e acabo querendo comprar mais para tentar me reconhecer e… continuo o movimento para tentar me reencontrar, mas não o consigo.
Se a arte faz com que nos reencontremos com nosso conjunto de sentimentos mais internos, mais autênticos, como funciona esse “mecanismo” de reconhecimento quando da produção da arte como mercadoria? Como relacionar essa questão com o “estranhamento” do mundo atual, afinal, vivemos num mundo “estrangeiro”, no qual, na superfície sim, mas fundamentalmente não nos reconhecemos…
Ajudem-me a pensar!

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