Primavera Árabe: Reforma ou Revolução?

E eu só queria informar aos proto-marxistas (neotroskos) que a Primavera Árabe não foi nenhuma Revolução!

Palco armado para o reformismo pequeno-burguês, levou-os a aceitar a Democracia como um bem supremo e um fim auto-justificado em si mesmo; para superação dessa nova realidade instalada somente novas contradições!

O meu ponto, basicamente reside no fato de que alguns pseudo-marxistas defenderam com unhas e dentes a derrubada dos governos ditatoriais, dando, a esse processo nuances de Revoluções. É simples, a sociedade não aceita “vácuos históricos”; após a derrubada de um poder instalado, outro tem, necessariamente, que ascender (e esperamos o momento em que a autogestão e a organização popular sejam esse poder).

Como exemplo, alguns desses falsos entendidos bradavam a queda de Gadaffi, um ditador sanguinário – não entro no mérito de quem ou o que o Gadaffi era, a questão é: cadê a propositava? Após a derrubada do ditador, quem assumirá? O povo, as classes dominantes trajando “outra roupa”? E quando caiu o ditador chamaram-nos, aqueles que faziam essa crítica, de Viúvas do Gadaffi. Será, portanto, que temos de chamá-los de Esposas da CNT? Afinal, após a saída dele do poder ficou estabelecido a Sharia (Lei Islâmica) como mecanismo de preenchimento do dito vácuo!

Com isso eu chamo atenção: não foi uma Revolução, não houve subversão da ordem vigente, modificação da infraestrutura nem resolveram contradições imanentes àquele modo de produção, que, politicamente se transvestia de uma possível ditadura – mas no fundo era mais um local onde o poder econômico se sobressai e governava a sociabilidade entre os homens. Ou seja, de um “Capitalismo Ditatorial” chegou-se agora a um “Capitalismo Democrático”, se é que isso é possível. Ou noutra tipologia, da “Ditadura Burguesa” para uma “Democracia Burguesa”.

É inegável que avanços são importantes, que devemos avançar em novas conquistas preservando os acúmulos anteriores, porém, chamar um movimento Reformista de Revolucionário é “falsidade ideológica”, é falácia lógica ou mau-caratismo intelectual! Não havia uma bandeira pedindo a superação da sociedade das coisas, não se via bandeiras vermelhas nas movimentações e, quando as via, não eram elas as direcionadoras de toda atividade política.

Não nego a necessidade da Reforma; num contexto onde não se alcança a Revolução, melhor tentar amenizar a defasagem social a ficar esperando/construindo o momento histórico que tanto esperamos sem avanços reais. Porém, muito cuidado é pouco: Reformismo é, a meu ver, dar remédios a um doente, curando-o do atual problema e dando-lhe sobrevida para poder adoecer de algo mais letal num futuro próximo.  Ou seja, Reformismo é corrigir algumas das mais latentes contradições atuais deixando outras com a possibilidade de aflorarem. E a única forma de derrotar de vez o doente é ir à causa do problema, daí a radicalidade e necessidade Revolucionária da modificação nas formas fundantes da sociedade.

Para finalizar, meu problema central não é com o movimento em si, mas sim com os falsos idealistas que se utilizam de um discurso mentiroso dizendo ser este um movimento de viés Revolucionário. Falta um pouco de análise profunda e calcada na realidade concreta.

Bruno Miller Theodosio

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