E a tal palmadinha?

E a tal PALMADINHA?

“Melhor uma palmadinha hoje a um rala amanhã da polícia”.
Li isso em mais de uma postagem aqui no face e começo pelo seguinte:

Há uma falácia lógica nessa premissa. Quem disse que:
apanhar <-> cidadão “de bem” X NÃO apanha <-> NÃO cidadão “de bem”
Há uma consequência de duplo implica nessa premissa e ela pressupõe que se, e somente se a criança apanhar ela se transformará em um bom adulto.
Questões: Toda índole é forjada pelo pais? Não há nada que seja intrínseco a cada ser humano? Posso expor o tema pelo recorte de que a criança tem sim algumas tendências que vão aparecendo no trato do dia a dia, sendo, portanto, papel dos pais incentivar a perpetuidade das boas condutas e reprovar as negativas.

Porém, sanções físicas são realmente efetivas? Digo pelo fato de que, se um filho apanha, ele terá MEDO de fazer algo errado. Estamos criando uma sociedade patológica onde as crianças são lapidadas pelo cerceamento de suas liberdades mediante sanções físicas; entretanto, qualquer um que um dia teve contato com a sociologia argumentará “e as sanções sociais? e a reprovação moral?” Não seriam estas, portanto, mais efetivas? Por mais reducionista que seja estabelecemos aqui dois caminhos
I) Sanções Físicas
II) Sanções Sociais
Não vejo como positivo criar uma criança aplicando sanções físicas a torto e a direito, muito melhor seria EDUCAR seu filho mostrando-o quais as atitudes socialmente aprováveis e quais não devem ser seguidas. Não descarto que, em momentos extremos possamos recorrer à punição física, porém, aceita-la como método de manutenção da ordem não me parece positivo em nenhum momento.

Portanto, quem recorre ao método de sanções físicas, palmadas, tapas, é porque tem preguiça de criar, de educar, de efetuar seu papel de pai/mãe, educador e, principalmente, AMIGO de seu filho. O filho apenas é um ser que apareceu na sua vida para que você o desse as condições de que, um dia, ele caminhe sozinho.

Para encerrar: Se juntarmos uma Sociedade onde o Ensino nos mostra que nosso papel é passivo, que somos meros espectadores, que o professor é figura máxima (ELE fica em PÉ, à frente da sala e nós sentamos e quietos); mídias que nos mostram de forma enviesada as notícias e vendem o que elas acham certo não dando espaço algum à divergência. E por fim, um mundo onde as crianças são educadas para terem medo e sofrer punições físicas quando errarem… Sabe aonde chegaremos assim? Em um contexto em que acharemos normal o abuso de poder policial, afinal, fomos educados a apanhar em casa, quem dirá daquele Homem da Lei, fardado? Se compactuarmos com essa sociabilidade criaremos as condições para seres humanos “linha de montagem”, que aceitam e são passivos, que abaixam a cabeça e não lutam por suas posições, estamos criando e incentivando uma Sociedade Amorfa! O papel do jovem é MUDAR, RECICLAR! Uma Sociedade que não vive conflito de gerações é uma Sociedade doente! O Jovem tem de olhar para o mundo e sonhar, querer vê-lo avançar, muda-lo! Não podemos olhar para o que as gerações anteriores fizeram e acreditar que tudo está posto, dado.
Quando Fukuyama retomou aquele papo de “Fim da História”, era disso que ele queria dizer, no fundo: Um mundo onde as pessoas não fazem nada diferente do que é mandado a elas fazerem.
Quero, porém, um mundo “onde as ideias voltem a ser perigosas”

 

Bruno Miller Theodosio

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