Ensaio sobre o Socialismo Científico

O capitalismo escravizou a coletividade dos homens!

Atualmente, só os que podem vender sua força muscular ou intelectual de trabalho estão engajados na sociedade!  Quando se entende que o assalariado é mais livre que o escravo, que o servo, se esquece que, no fundo, a escravidão apenas aumentou. Antes, mesmo que a força produtiva trabalhasse ou não, o senhor era incumbido da alimentação de sua mão-de-obra compulsória – hoje, vende-se o corpo a fim de acumular capital para a observância das mínimas condições de existência; para se viver é necessário que se consuma. Sem capital não se come, não se mora, não se vive. O sistema precisa ser subvertido! Afinal, uma grande maioria assalariada vive à margem de que uma pequena minoria proprietária dê as condições de trabalho àqueles. O Trabalho precisa do Capital nesse atual sistema. Para que haja justiça social o Capital, como classe, precisa ser destruído. Só a inversão da realidade de classes é capaz de alentar as demandas dos oprimidos. A propriedade coletiva dos meios de produção tem de tomar o lugar da propriedade privada. Só através do coletivo como dono e direcionador da produção que conheceremos a dessacralização dos estamentos; o fim das classes.  Durante o processo a classe do Capital terá seus mecanismos coercitivos fundados na extrema-direita, na xenofobia, no cerceamento de qualquer possibilidade de reivindicação dos direitos individuais, no desrespeito aos Direitos Humanos. A força dos que hoje exploram será usada de forma sistemática, afinal, ela é cunhada pelo poder do grande capital financeiro monopolista internacional; já que o capital não tem pátria, o Trabalho não deve, também, tê-la; o Trabalho deve se enxergar como classe subordinada no sistema. Precisa ser revolucionária e é por isso a importância da vanguarda do partido operário. É nessa vanguarda que está depositada a esperança de suscitar a identidade do explorado, a consciência de classe, a direção do caminho revolucionário – sozinhos, sem educação proletária, muitos não se vêem explorados, não se percebem e o movimento comunista tem o papel de demonstrar para eles a correlação das força. Porém os partidos mundiais não podem ter um programa divergente; daí a criação dos congressos internacionais, “proletários de todos os países, uni-vos”

O Socialismo não é uma forma criada; ele, simplesmente, é a resposta dialética formada no seio do capitalismo, na forma de produção e reprodução da vida. A ascensão burguesa trouxe as contradições subjetivas e objetivas de seu próprio calvário.O socialismo é o reflexo do conflito entre as forças produtivas e a forma de produção. O socialismo, por fim, apóia-se na observação das tendências comprovadas historicamente e indica para a socialização dos meios de produção em busca de justiça social! Não se pode aceitar a crítica da uniformização do ser humano. Parte-se do pressuposto de que seremos iguais no início; que sairemos com igualdade de condições e não que chegaremos com um fim conjunto. Só no comunismo a diferenciação dos homens poderá, enfim, ser respeitada. Cada um poderá proceder do modo como quer e como entende que precisa para viver. A heterogeneidade é condição intrínseca da evolução das espécies; só assim aperfeiçoa-se o ser vivente. Como então, o socialismo, será justo com os homens, dando a eles o necessário – “de acordo com as necessidades e de acordo com as possibilidades produtivas de cada ser”?  Não há como se comparar diferentes trabalhos sem uma forma padrão de comparação, senão arbitrariedades serão cometidas. Já que no socialismo a produção atenderá ao conjunto da população, porque não deixar a encargo das vontades individuais?  A única forma material de comparação do trabalho é o tempo, que é comum para todos. O trabalho, assim, enfim, terá perdido sua raiz escravocrata e será a resposta das volições pessoais; das aptidões e da liberdade plena do modo de vida.  O homem será livre para expressar sua arte, sua vocação, sua vontade. Só no sistema de igualdade de condições poderemos nos reconhecer como seres humanamente humanos…

Bruno Miller Theodosio

Uma resposta em “Ensaio sobre o Socialismo Científico

  1. Na verdade o capital não vive sem o homem, mas o homem vive sem o capital. Estamos, aqui, falando de uma categoria abstrata, personificada no ser humano que é transformada a cada relação social exercida. Dialeticamente falando, a correlação de forças forja o homem, assalariado ou não, ambos conviventes em relações capitalistas, a adquirir (ou perder totalmente) consciência de acordo com a organização social em que ele vive. Falando globalmente, não existem mais países, e sim potências econômicas. Vivemos numa época em que o Capitalismo alcançou niveis quase indeléveis. Marx já dizia que a desapropriação da burguesia somente seria efetiva através de uma consciência coletiva internacional e universal. Mas como alcançar o Comunismo proposto por ele? Como poderíamos seguir os mandamentos escritos no Manifesto? Creio que o Capitalismo superou aquilo que chamamos de crescimento. Talvez seu covário esteja aí. Não na escravização do próprio ser humano, mas na utilização indevida da natureza. Historicamente, o homem começou a explorar a natureza, extraindo, assim, sua sobrevivência. Criou o fogo, suas vestes, caçava para comer… Numa sociedade em que os hábitos são tidos como naturais e NUNCA como forjações – expressos na correlação de forças -, a consciência alienada à crítica, se transforma num fácil alvo de manipulação. Clamamos pela conscientização, é fato. Mas a natureza, descoberta pelo capitalismo, como outro mecanismo de acumulação desordenada, não resistirá. E as camadas populares sofrerão as consequências. Mais uma vez, podemos ver que no sistema vigente a natureza utilizada de forma indevida (ou estratégicamente utilizada) constitui uma expressão da luta de classes. Onde a classe proletária sofre, primeiramente, as consequências. Temos aí como exemplo o caos no RJ. Então? Como agir? Devemos ver nossos atos – e também nossas críticas, diálogos -, como uma práxis transformadora. Anseio muito mais pela prática, o que é difícil. Mas ando meio sem esperança. É angustiante! ;~~

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