Porque acreditar no Socialismo? (como colocar isso tudo num pequeno texto, isso sim…)

De forma geral, surgiu uma discussão nos comentários do post “Carta a Vida” e a Isabela veio falar o porque de acreditar e concordar ou não com o socialismo. Pensei emmil resposta,escrevi outras duas mil, é muito difícil delimitar algum espaço para esse tipo de discussão, mas achei tão interessante que prefiri respondê-la como um novo post que segue aqui:

Bom, primeiramente, eu sou socialista não como causa, e sim como conseqüência. O que quero dizer? Eu não cheguei ao socialismo e gostei da proposta; eu fui vendo os problemas conjunturais da sociedade e criando idéias de organização diferentes, até que um dia, estudando, descobri que um tal de Marx e um outro fulano, Engels, panfletaram, em 1848, as idéias próximas do que eu pensava. Foi curioso porque, até então, eu era um em um milhão. Vindo de uma família relativamente estável, todos meus amigos achavam que tudo estava bem… E eu, acreditando que não eram um ou dois problemas, era uma sociedade toda errada. Fui conhecer melhor o marxismo e percebi que: se numa sociedade existe uma superestrutura que nos manipula (religião, política, cultura, e toda a parte ideológica) e só se modifica através da mudança conjuntural da infra-estrutura (relações de produção), porque não pensar através do materialismo dialético e efetivar as mudanças a partir dessas relações produtivas? Olhei a história e percebi que os escravos só existiam porque o sistema produtivo precisava dessa “mercadoria” (sim o escravo era mercadoria) como a força de trabalho. Percebi que o jornaleiro era explorado pelo dono do meio de produção dentro da corporação de ofício, afinal o que ele produzia para o mestre era muito mais lucrativo em relação ao que recebia como salário (mais-valia é isso, o déficit, que fica para o empregador, entre o que você produz de riqueza e o que você efetivamente recebe). Aí você me pergunta como que essa sociedade evolui, como ela se modifica, afinal, não existe uma política econômica de um Estado baseada no escravismo nos dias de hoje, certo?

Bom, Idade Média, o Rei sem poder econômico e o burguês economicamente forte, porém sem representatividade política, farto de ter que pagar impostos diversos. Então, Rei e Burguesia se unem e fundam um sistema político chamado Absolutismo, em que o Burguês adquire poder político enquanto o Rei reassume seu protagonismo econômico financiado pelo dinheiro burguês. Num momento subseqüente, a burguesia, em 1789, derruba o Absolutismo na França através de um ato revolucionário instaurando um novo quadro político, a República; todos eram iguais perante os termos da “Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão”. O que essa retrospectiva história tem de ligação com o socialismo, certo? Chocamos uma TESE (Rei) com uma ANTÍTESE (Burguesia) e dela deriva uma nova realidade, a SÍNTESE (República). No seio de cada tese cria-se uma antítese que, quando chocadas apresentam a realidade modificada chamada síntese. Isso é Dialético! Isso é ser socialista, é crer num avanço histórico da sociedade. Por isso que precisamos modificar as relações de produção, porque através da instauração de um poder na mão dos que hoje são explorados, podemos emancipar uma sociedade nova. Tá, e o que me garante que esse processo num acontece de novo, ou que essa sociedade não continuará sendo injusta, só trocando o explorador pelo explorado? Nada garante de certo, o que se pode garantir é o trabalho político diário de criação da consciência de classe para que, dado o momento da modificação, cada indivíduo tenha esclarecimento para entender as novas formas organizacionais dessa sociedade.  Um governo baseado no poder popular criará as condições materiais de que todos sejam os donos dos meios de produção. A propriedade nas mãos do Estado e o Estado gerido pelos trabalhadores; afinal, nada mais justo que: quem produz destine e organize a produção. Não havendo essa distinção estamentária entre o dono e o empregado, não há possibilidade do roubo que hoje é feito do trabalho social. Como mudaremos as relações produtivas, mudaremos em conseqüência as relações da superestrutura.  Um trabalhador que sabe que seu semelhante é tão igual juridicamente e socialmente quanto ele percebe o fim dessa divisão de estamentos. Não se explora mais ninguém porque finalmente todos ficam iguais. Aí você fala: Ah, mas e aí, o cara se ligou que ele pode ficar de boa que ele receberá da mesma forma, ou seja, aquilo que todos falam, um se esforça, o outro não… Há uma máxima no Marxismo que diz o seguinte: “De cada um, de acordo com suas habilidades, a cada um, de acordo com suas necessidades”. Isso traduz o pensamento de que, no socialismo haverá distribuição DESIGUAL de renda para equalizar socialmente a população. Quem tem 10 filhos receberá 10 vezes mais do que quem tem 1 filho, de forma bem genérica. Outra diferenciação é que não haveria, na sociedade ideial, espaço para o fetichismo da mercadoria. Os PRODUTOS teriam seu VALOR DE USO  preservado como trabalho agregado para funcionalidade e não como produtos pensados para serem trocados. Basicamente o homem produziria o que é importante, sem supérfluos. Pra que gastar o trabalho produzindo escova de dente elétrica se a manual cumpre sua função?  Trabalho, etimologicamente dervida da palavra tripalium*, um antigo método de tortura. Na sociedade baseada no coletivismo, o trabalho será transformado no que de fato tem que ser, uma forma de transformar a natureza a fim de ajudar o homem e não numa forma de escravagismo. O trabalho de hoje nos faz reféns de relógios, patrões e do dinheiro, afinal ou você tem dinheiro, ou não estará inserido como um ser socialmente ativo. Eu poderia ficar aqui falando mil coisas e meus dedos gostariam de continuar mas já me alonguei muito, tanto que, o que seria um comentário, virou um post.

Espero que tenha feito você ver melhor a forma como nós, comunistas, vemos a nova forma de sociedade possível.

Bruno Miller Theodosio

* Referência etimologica de trabalho http://198.106.73.59/02/02_trabalho.htm

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