O Voto Tiririca

Acredito que alguém deveria expor o tema com o seguinte mote: A democracia e o Estado de Direito, por mais que manipulados, perduram desde a redemocratização começada em 1985 e conclamada com a Constituição Cidadã de 1988. Hoje, não podemos mais ir à Ágora e ingressar na Eclésia para debatermos os pontos democráticos. Não podemos por uma simples razão numérica, somos muitos. Partindo desse pressuposto, admitamos que, vivemos nessa sociedade que se está instaurada a democracia participativa por uma necessidade (e não mais a democracia clássica, de Clístenes). Essa democracia participativa se predispõe a elencar pessoas para que nós possamos votar a fim de que nos representem nas instâncias de poder. Tiririca, Maguila, Mulher Pera, KLB, entre outros, são apenas pessoas que têm todo o direto de se candidatar (tal qual Maluf, Quércia, Tuma…) – isso até me lembra de quando empossamos o Rinoceronte Cacareco, em 1958, eleito Vereador de São Paulo. Não deixemos de abordar, no entanto, que cabe aos partidos saberem escolher seus quadros para que não haja essa vergonhosa transformação da política em circo. As pessoas acham que votando em Tiririca e afins estão declarando seu protesto, estão mostrando sua indignação. O que poucos sabem é que pela coligação do Tiririca, ele acabará carregando consigo vários outros políticos para o Congresso, e alguns desses das bases aliadas do Governo. Ou seja, o voto que seria um protesto acaba trabalhando em prol da manutenção do poder na mão das mesmas forças políticas. O voto, entretanto, é um dispositivo democrático que no Brasil é uma conquista histórica. Somente na constituição Varguista de 1934 as mulheres puderam votar. Até algum tempo atrás as políticas do cabresto e do curral eleitoral vigoravam como prática comum – não que hoje não existam, mas pelo menos temos dispositivos legais contrários a elas, vide voto secreto. Gostaria de salientar que o melhor protesto que se faz é o protesto IDEOLÓGICO. Protestar contra a situação não é votar em que possa reformá-la apenas. Protestar é se utilizar da arma democrática mais poderosa que temos sem jogá-la no lixo, ou seja, se estamos insatisfeitos, votamos em algo diferente na ideologia. Caso a situação esteja mostrando-nos que a ética não mais existe, ou que qualquer um dos programas eleitorais (sim eleitorais, não políticos) traz uma bandeira comum é nossa obrigação mostrar que nos indignamos votando em alguém que possa mudar o status quo. Modificar a sociedade porque estamos insatisfeitos torna-se uma obrigação, afinal, votar em alguém que não reivindica mudar a infra-estrutura sugere que estejamos  satisfeitos com a superestrutura.  Em linhas gerais, para que possamos protestar, temos o dever de protestar através de plataformas políticas, com algum ideário que sustente propostas não somente técnicas. Modificar o número da do valor que é repassada para a segurança não vai trazer a paz; aumentar o número de escolas também não melhora o ensino. Se nos vemos insatisfeitos, precisamos então criar condições para que outras plataformas possam trazer novas respostas aos nossos anseios.  Para finalizar, ao povo brasileiro cabe a incumbência de nesse dia 3 de outubro não votar como dever. O sufrágio universal e secreto, como já salientado, foi o resultado da luta histórica de homens e mulheres que deram suas vidas em razão da participação ampla e irrestrita da população na política nacional. Votemos com consciência e com o prazer de saber que em poucos apertares de teclas temos o poder de transformar nossa sociedade. Pense, reflita e vote com a certeza de que seu voto faz toda a diferença.

Bruno Miller Theodosio

2 respostas em “O Voto Tiririca

  1. Bacana o texto.Estou conhecendo o blog agora.Tem muita coisa na net que a gente nem sabe que existe!

    Bom,sobre o texto o que posso dizer que concordo com ele.Alias, um outro bom texto ,não sei se vc já leu,mas é do camarada Sammer da UJC/PCB que foi postado no Rumos do Brasil,se não me engano.Ele aborda algumas questões que vc colocou no seu.

    Sobre o caso Tiririca,tem duas coisas que prescisa de reflexão:

    Uma,é sobre aquelas pessoas que até teve oportunidades na vida ,chegou a uma faculdade e fazem uma coia dessa,votando no Tiririca, por pura preguiça ou acomodismo é um tipo de caso.Esse sim tem responsabilidade no que faz e capacidade para escolher o lado certo.
    Mas há o caso mais grave onde são aquelas pessoas que acreditam nesses discursos,que foi chamado pelo um autor que não me lembro o nome agora, de sub proletariados.

    Quantas pessoas ainda acreditam nas mentiras vendidas pela ditadura,como aquela que os comunitas vão acabar com as famílias?É principalmente essas pessoas que me dão força para continuar ao lado da esquerda ,defedendo o comunismo.

    Ivan 21
    PCB

    Abraços!

    saudações Comunistas

    Estou no Twitter,seque lá também:

    http://twitter.com/Aloisiofcs

  2. Pingback: Os números de 2010 « Panela de pressão das idéias

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