Globalização como perversidade.

Dos tempos remotos das escrituras à mão, aos tempos contemporâneos dos digitalizados apertares de teclas…

 Nossa sociedade pôde ser documentada após a invenção da escrita. Iluministas criaram uma reta linearmente formulada na interpolação de eventos entre o ontem e o hoje, e nela depositaram todos os fatos cotidianos de forma ordenada. Após a padronização cultural em que a escrita formou-se como a disseminadora de conhecimento, o sapiens sapiens havia dominado todos os cantos e frestas do planeta redondo, a Terra (o planeta com mais de 60% de sua superfície com água,  vai entender…). Para tal feito o ser precisou adaptar-se às distâncias, dificuldades de manutenção de uma homogeneidade cultural e até espaço-temporal. Para sanar tais dificuldades foi criada a comunicação à longa      distância – sinais de fumaça, cânticos e sons. Porém escrita seria a melhor sustentadora dessa realidade, afinal, ela timbrada no papel, valer-se-ia como a mensagem “face to face”. A marca no papel é uma metáfora da representação física do escritor. Passaram-se os tempos, e o homem usou de pombos e até outros homens (e bichos) para fazer função do transportador dessas mensagens. As revoluções industriais criaram conjunturas distintas que puderam otimizar o processo disseminador: fosse o carvão e as primeiras máquinas que criaram as “largas escalas produtivas” ou a revolução petrolífera criadora dos polímeros que puderam fazer 80% dos componentes dos atuais computadores, ou até mesmo a revolução globalitarizante das mídias onlines. A INTERNET surgiu para suprir a logística militar e de tão bem manipulada e de acesso amplo e irrestrito, “full time”, passou a ser um instrumento civil. Está criada a lógica digital. Um mundo digitalmente formulado para uma realidade analogicamente firmada (afinal como humanos que somos, analógicos seremos…).

A dicotomia digital/analógico traz uma série de questionamentos na atualidade. Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, gostaria de pensar nas diferenças sociológicas, antropológicas e filosóficas da mudança paradigmática da realidade (quanta modéstia…). A tecnologia que viera para aproximar as pessoas (discurso liberal-burguês-neoliberalizante-militarista) na verdade afastou-as. Muito mais fácil que mandar uma carta, ir ao encontro do indivíduo no famoso “téte a téte“ ou então simplesmente viver uma vida normal com a convivência presencial; preferimos a freqüência maior, afinal estamos online; decidimos, porém, afastar-nos do presencial físico. Esquecemo-nos que somos humanos, analogicamente unidos por um padrão cultural maior. A premissa maior da racionalidade. A grande ideologia humana. O racionalismo. Temo um inconsciente coletivo… pera lá – é sobre ele que quero falar!

O que seria o nosso tal inconsciente coletivo? Segundo Jung, nascemos com um panorama de todos os objetos do mundo. Somos apresentados a todas as formas perfeitas das imagens que veremos em vida. Se você vê uma cadeira, você sabe o que é, e seu estado porque no seu subconsciente é feita a associação com aquela forma perfeita; com aquele arquétipo. Partindo do pressuposto de que temos um panorama cultural pessoal porque alguém nos apresentou, eu pergunto: Existe algo que cria esse panorama? Acredito que a conjuntura. O modo de vida, a cultura, a religião, os problemas sociais. A realidade situacional cria um padrão de pensamento. O homem daquele tempo pensa assim porque a vida o levou a isso. J.Bossuet escreve seu livro legitimando o poder dos reis através da religião, afinal, em seu tempo, precisava de uma afirmação pra soberania monárquica. Thomas Hobbes vivendo na Inglaterra da Revolução Gloriosa afirma que o contrato social veio para dar segurança ao homem, ou seja, o Estado Liberal está pela primeira vez, legitimado! O homem como lobo do homem é uma figuração entre as matanças ligadas ao contexto das revoltas… Marx escreve o Manifesto do Partido Comunista numa época onde crianças e mulheres tinham jornadas de trabalho superiores ao “aguentável” por qualquer ser humano em sã consciência. É difícil dissociar o autor de seu tempo, ou o tempo de seus autores. Depois dessa imensa digressão eu pergunto – Com o advento do TWITTER (tweet – piar, em inglês); pra quem não sabe ele é uma mídia digital aonde num campo de 140 caracteres você tenta expressar o que está querendo dizer… Enfim, em um mundo dominado pela globalização com seu fluxo de informações, pela digitalização das relações interpessoais e pelo mundo sinérgico entre homem/máquina, algum gênio cristaliza a linha de pensamento limitando em 140 letrinhas pra que se expresse seu texto. Estamos criando pequenos mecanismos de cerceamento de criatividade, estamos criando gerações ligadas ao momento, ao fato, e não mais ao contexto. Esquecemos de pensar em como isso afetará o panorama cultural das próximas gerações; está se sedimentando a alienação no maior meio informacional do mundo. Cercamos o pensamento de todas as formas, inclusive no lugar aonde o fluxo de informações é o maior possível, na internet. Aonde queremos, ou melhor, aonde iremos chegar com isso? Gerações futuras mecanizadas fisiologicamente com aparatos médico-terapeuticos, e agora, mecanizadas de forma ideológica, sem permissão de criar redes neuronais para fomento do pensamento crítico. Socorro, o mundo precisa de uma inversão de valores urgente! Você não concorda? Pense… Antigamente escrevia-se uma carta ou como na Batalha de Maratona as próprias pessoas levavam as informações. Veio o telefone. Depois disso, o celular. Começamos a torpedear ao invés de ligar, e hoje, twittamos na palma das nossas mãos. Até o Fastão tem feito propagandas de eventos que dão casas através da inscrição por mensagens SMS. Bons tempos aqueles aonde as meninas jogavam as cartas pra cima e sorteavam um ganhador…

Continua desacreditando da dita padronização? Somos bombardeados pela Indústria Cultural e recebemos influxos mercadológicos o dia todo. Quando queremos um refrigerante, pedimos COCA (água suja do capitalismo), compramos Bombril pra limpar panela e Cotonete pra limpar as oreba! Gilette pra fazer a barba e as meninas usam OB e Modes….

Complicado, aonde está minha liberdade nesse mundo perfeito capitalista que me dá liberdade de escolha e de pensamento?

SOCORRO! O último apague a luz, por favor…

5 respostas em “Globalização como perversidade.

  1. Mano vc ta parecendo minha vó , falando q no tempo dela q era bom , q as pessoas se respeitavam, ninguem matava ninguem e por ai vai….
    se vc prefere viver nessa eterna utopia , eu n posso fazer nada alem de respeitar seu ponto de vista….
    Velho vc nunca vai ter liberdade , n adianta dizer q , se fosse o socialismo todo mundo iria ser livre e feliz….fora o fato q minnha responsabilidade social q eu tenho com o proximo, eh mto mais importante do q a liberdade de escolher um refrigerante…

    EU N tenho intençao nem uma de falar q vc ta errado nem nada…so quero q vc reflita sobre as coisas q eu escrevi… eh simplesmente um comentario….se ficou alguma parte q vc nao entendeu pode falar , to aqui p te ajudar…
    abraço

    • Obrigado pelo comentário, a divergência só fomenta novas discussões. Ajudaria se eu soubesse quem é você. E em nenhum momento eu defendi o socialismo ali, apesar de ser comunista. Enfim, acho que vc me conhece bem pra poder falar isso tudo. Sendo assim, me ajudaria começando dizer quem vc é! e obrigado pelo comentário de qq forma

  2. Fala Bruno, sou o Thiago, estávamos discutindo a uns 2 dias, no Twitter, sobre o cód florestal, quando eu disse que era a favor e vc argumentou e me mandou o link para o AbSaber.
    Não uso msn, mas mande material à vontade para o meu e-mail, que coloquei acima.
    Essa questão florestal está embaçada d+. Li o texto q vc mandou e outros, e me parece claro que o cód florestal deixou diversos pontos importantes de lado. Mas, ao mesmo tempo, há que se desconfiar do que dizem os cientistas americanos e europeus sobre o assunto. Sabe, as pesquisas precisam de financiamento, e quem financia pode ter interesses específicos na Amazônia. Quero dizer, se ficar claro que o Brasil não pode cuidar das florestas (como defendem cientistas gringos e ONGs gringas), eles vâo reinvidicar o território como sendo patrimônio mundial, provavelmente se utilizando das reservas indígenas, o que obviamente seria um golpe do capital contra nossa nação. Por exemplo, o site Planeta Sustentável, que tem tantos seguidores no Twitter, é patrocinado por empresas de energia, pela camargo correa e pela abril, dona da veja e da folha de spaulo. Ou seja, só gente com segundas intenções neste assunto. Está nebuloso d+, causando perigo, inclusive, à soberania nacional. Enfim, mandei por aqui, pq precisava, como sempre, de mais que 140 caracteres, e foi o único meio q achei! E já que vim aqui, parabéns pelo blog, qndo der dou uma olhada melhor, mas acho uma iniciativa excelente, ainda terei um!

    Forte Abraço

  3. Pingback: Os números de 2010 « Panela de pressão das idéias

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